quarta-feira, 28 de abril de 2010
OS LIVROS NA IDADE MÉDIA
No capítulo III, denominado Homens e saber na Idade Média, do livro Os Livros na Idade Média, Jacques Verger relata a dificuldade do acesso ao livro naquela época. Através de dados históricos, expõe os elevados custos de confecção de um livro, identifica os homens de saber como seus maiores detentores e descreve sua lenta e restrita difusão apesar da transição do livro manuscrito para o livro impresso.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO
“Durante o longo período da redação você vive entre a sua existência real e a imaginária, entre a sua cotidianidade e o romance; mas à medida que avança no trabalho, o campo do narrativo vai se apropriando de um espaço maior. Até que chega o dia, quando o livro já está bem adiantado, em que as paredes que separam os dois mundos parecem começar a fundir-se.” (pag. 50-51)
Este trecho do livro “A louca da casa” de Rosa Monteiro foi citado em nossa roda de leitura e também foi o motivo pela qual uma colega de classe me indicou o filme “Mais estranho que a ficção” (2006, dirigido por Marc Foster). Este conta a história de um homem que começa a ouvir sua vida sendo narrada por uma mulher, até que certo dia escuta ela dizer que ele estava prestes a morrer. Acreditando fazer parte de um conto, ele procura ajuda de um especialista em literatura e parte a procura de sua narradora para evitar seu triste fim.
Este filme, assim como o livro de Rosa Monteiro, nos mostra o quanto é tênue para o escritor a divisa entre a criação literária e a vida real. “(...) o romance cresce e cresce até inundar o território do real.” (pag.51)
Este trecho do livro “A louca da casa” de Rosa Monteiro foi citado em nossa roda de leitura e também foi o motivo pela qual uma colega de classe me indicou o filme “Mais estranho que a ficção” (2006, dirigido por Marc Foster). Este conta a história de um homem que começa a ouvir sua vida sendo narrada por uma mulher, até que certo dia escuta ela dizer que ele estava prestes a morrer. Acreditando fazer parte de um conto, ele procura ajuda de um especialista em literatura e parte a procura de sua narradora para evitar seu triste fim.
Este filme, assim como o livro de Rosa Monteiro, nos mostra o quanto é tênue para o escritor a divisa entre a criação literária e a vida real. “(...) o romance cresce e cresce até inundar o território do real.” (pag.51)
quarta-feira, 14 de abril de 2010
A LOUCA DA CASA
Em seu livro “A louca da casa” Rosa Monteiro vai muito além do ato de escrever sobre a escrita. Ela nos proporciona uma compreensão da essência do ser escritor, abordando questões que o sensibiliza como a vida, a paixão, a morte, a imaginação, o medo, o silêncio (emudecer), a vaidade, as lembranças, a eternidade, a crítica (autocrítica), a loucura, dentre outros. Para elucidar essas questões utiliza de uma narrativa romanceada, de seu vasto conhecimento de biografias e sua autobiografia, mas sempre questionando o que é real e o que é imaginário.
“Para ser, temos que nos narrar, e nessa conversa sobre nós mesmos há muitíssima conversa fiada: nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos”. (pag. 8)
“Falar de literatura, então, é falar da vida; da própria vida e da vida dos outros, da felicidade e da dor. E é também falar do amor, porque a paixão é o maior invento das nossas existências inventadas, a sombra de uma sombra, a pessoa adormecida que sonha que está sonhando. E bem lá no fundo de tudo, para além das nossas fantasmagorias e nossos delírios, momentaneamente contida por esse punhado de palavras tal como o dique de areia de um menino contém as ondas da praia, surge a Morte, tão real, mostrando suas orelhas amarelas.” (pag. 12)
Assim como compreender estas e outras questões acaba por aproximar o escritor de seu texto e de si mesmo, a leitura deste envolvente livro nos dá o privilégio de nos aproximar e melhor conhecer esse fascinante ser.
“Para ser, temos que nos narrar, e nessa conversa sobre nós mesmos há muitíssima conversa fiada: nós nos mentimos, nos imaginamos, nos enganamos”. (pag. 8)
“Falar de literatura, então, é falar da vida; da própria vida e da vida dos outros, da felicidade e da dor. E é também falar do amor, porque a paixão é o maior invento das nossas existências inventadas, a sombra de uma sombra, a pessoa adormecida que sonha que está sonhando. E bem lá no fundo de tudo, para além das nossas fantasmagorias e nossos delírios, momentaneamente contida por esse punhado de palavras tal como o dique de areia de um menino contém as ondas da praia, surge a Morte, tão real, mostrando suas orelhas amarelas.” (pag. 12)
Assim como compreender estas e outras questões acaba por aproximar o escritor de seu texto e de si mesmo, a leitura deste envolvente livro nos dá o privilégio de nos aproximar e melhor conhecer esse fascinante ser.
MERGULHO NUM LAGO GELADO
No texto “Mergulho num lago gelado”, Susan Stang fala do quanto considera estreita a ligação entre a leitura e a escrita. Ao longo do texto ela aborda algumas formas nas quais estas podem se relacionar, como a leitura pode vir a despertar o impulso de escrever e a utilização da leitura, da releitura e da reescrita durante a produção da escrita.
“Ler geralmente precede o escrever. E o impulso de escrever é quase sempre despertado pela leitura.”
Com relação à escrita, o projeto começa em nível de idéias, uma espécie de “escrita mental”. Começar a escrever e concretizar essas idéias é o que Susan Stang considerou como “um mergulho num lago gelado”. Em seguida o escritor se dedica a aperfeiçoar seu texto e para tal rele e reescreve-o quantas vezes achar necessário.
No entanto, a autora considera que há uma diferença entre a leitura e a escrita. Segundo ela, a leitura é uma vocação que pode vir a ser aprimorada através da prática, além de possibilitar uma ampliação da consciência. Já o ato da escrita carrega consigo uma constante insatisfação e responsabilidade por parte do escritor que, ao considerar a importância da literatura, deve se preocupar com o que está produzindo.
Esta preocupação parece pertinente, pois não se pode considerar a importância da leitura separadamente da qualidade da produção literária. Eis o grande desafio de um bom escritor.
“Ler geralmente precede o escrever. E o impulso de escrever é quase sempre despertado pela leitura.”
Com relação à escrita, o projeto começa em nível de idéias, uma espécie de “escrita mental”. Começar a escrever e concretizar essas idéias é o que Susan Stang considerou como “um mergulho num lago gelado”. Em seguida o escritor se dedica a aperfeiçoar seu texto e para tal rele e reescreve-o quantas vezes achar necessário.
No entanto, a autora considera que há uma diferença entre a leitura e a escrita. Segundo ela, a leitura é uma vocação que pode vir a ser aprimorada através da prática, além de possibilitar uma ampliação da consciência. Já o ato da escrita carrega consigo uma constante insatisfação e responsabilidade por parte do escritor que, ao considerar a importância da literatura, deve se preocupar com o que está produzindo.
Esta preocupação parece pertinente, pois não se pode considerar a importância da leitura separadamente da qualidade da produção literária. Eis o grande desafio de um bom escritor.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
ESCRITORES DA LIBERDADE
O filme “Escritores da Liberdade” ("Freedom Writers", EUA – 2007), dirigido por Richard LaGravenese, é baseado na história real de Erin Gruwell uma professora idealista que acreditava na educação e na escola, como uma alternativa de solução para os problemas de jovens considerados delinqüentes e que viviam em gangues num contexto onde a tensão étnica atingia altos níveis.
Uma constante luta por raça, orgulho e respeito, esta é a dura realidade à qual esses jovens eram expostos diariamente. Neste cenário surge Erin Gruwell, uma professora que se dispõe a lecionar Lingua Inglesa e Literatura para esses jovens. Segundo ela, a luta por melhorar suas condições deveria começar em sala de aula e não defendendo-os em tribunais de justiça (onde a batalha já estaria perdida).
Após tentativas frustradas de ensinar seus alunos e sem apoio por parte da diretoria da escola, ela percebe que para realmente conseguir ensiná-los precisaria conhecê-los melhor e obter seu respeito, assim como lhes ensinar a respeitar uns aos outros. Era preciso aproximar-se, compreender suas situações, para depois conseguir ultrapassar suas barreiras e adquirir confiança. Para tal ela propõe que começassem a escrever um diário, dando-lhes total liberdade de expressão e privacidade.
Ao escreverem seus diários os alunos começaram a pensar e refletir sobre suas próprias vidas. Através da escrita de suas próprias histórias e da leitura das histórias dos outros eles aprenderam o significado de tolerância.
Assistir “Escritores da Liberdade” me fez refletir sobre os benefícios de uma educação que, através da escrita e da leitura, se aproxima dos jovens e os auxilia a adquirir uma maior conscientização de si mesmo e da importância da vida em comunidade.
Uma constante luta por raça, orgulho e respeito, esta é a dura realidade à qual esses jovens eram expostos diariamente. Neste cenário surge Erin Gruwell, uma professora que se dispõe a lecionar Lingua Inglesa e Literatura para esses jovens. Segundo ela, a luta por melhorar suas condições deveria começar em sala de aula e não defendendo-os em tribunais de justiça (onde a batalha já estaria perdida).
Após tentativas frustradas de ensinar seus alunos e sem apoio por parte da diretoria da escola, ela percebe que para realmente conseguir ensiná-los precisaria conhecê-los melhor e obter seu respeito, assim como lhes ensinar a respeitar uns aos outros. Era preciso aproximar-se, compreender suas situações, para depois conseguir ultrapassar suas barreiras e adquirir confiança. Para tal ela propõe que começassem a escrever um diário, dando-lhes total liberdade de expressão e privacidade.
Ao escreverem seus diários os alunos começaram a pensar e refletir sobre suas próprias vidas. Através da escrita de suas próprias histórias e da leitura das histórias dos outros eles aprenderam o significado de tolerância.
Assistir “Escritores da Liberdade” me fez refletir sobre os benefícios de uma educação que, através da escrita e da leitura, se aproxima dos jovens e os auxilia a adquirir uma maior conscientização de si mesmo e da importância da vida em comunidade.
